Salto, maquiagem, pick-ups e hip-hop

Foto: Jéssica Balbino


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Foto: Jéssica Balbino
Mais uma vez, mulheres se unem para discutir a presença feminina no hip-hop e apresentar as DJs recém-formadas pela crew Applebum

De saia, salto alto, maquiagem e muita atitude, o hip-hop feito pelas mulheres pede licença para se consolidar também como protagonista da cultura. Pela segunda vez, o espaço da Foto: Jéssica BalbinoAção Educativa, no centro de São Paulo, sediou no último sábado (23/10) o evento Hip-Hop de Salto, organizado pela crew Applebum, formada pelas DJs Lisa Bueno, Mayra, Simmone, Tati Laser e Vivian Marques. O encontro serviu para celebrar, refletir e debater as experiências das mulheres no hip-hop.

Entre scratchs, back to backs, beats e muita disposição para compartilhar conhecimentos, as DJs do Applebum realizaram uma oficina com 10 alunas, que, ao longo de 12 encontros, aprenderam a arte de riscar os discos nas pick ups. Financiada pela Prefeitura de São Paulo, a ideia surgiu da necessidade de agregar mais mulheres ao hip-hop e, principalmente, à arte da discotecagem. “Estávamos limitadas a nós cinco e não tínhamos outras minas para chamar para os campeonatos. Então, resolvemos formar mais meninas e ter mais DJs tocando. O Hip-Hop de Salto veio para isso”, conta Lisa Bueno.

Além das participantes da oficina, o projeto atraiu ao auditório da Ação Educativa um público repleto de hip-hoppers de saia, batom e salto alto. Houve exibições das alunas que receberam certificados pela oficina e um debate, incrementado pela presença das rappers Rubia (RPW) e Lurdez da Luz. E, enquanto “O lugar da mulher no rap” era discutido, a grafiteira Cristiane Monteiro, conhecida como Crica, 26 anos, expressou em uma tela sua colorida e criativa homenagem às mulheres do hip-hop.

A militância pela causa feminina também reuniu diferentes coletivos e projetos femininos. Para a DJ Lisa Bueno, essa é a porta que vai abrir espaços no universo masculino, para que o hip-hop feito por mulheres chegue. “Enquanto poucos homens apoiam, vamos fazendo a nossa festa por nós mesmas”, opina.

E os homens chegam junto
Apesar do nome, o evento Hip-Hop de Salto não é restrito a mulheres. Também marcaram presença maridos, namorados e filhos das participantes, além de agentes do hip-hop que apoiam a presença feminina. É o caso de Luter, do grupo Enigmas da Periferia, que pelo segundo ano consecutivo saiu de Diadema para prestigiar o evento no centro de São Paulo. “Admiro a luta das mulheres para conquistar o próprio espaço sem precisar se vender. É uma grande iniciativa delas, que dá uma estrutura para as meninas que estão chegando agora e querem continuar nessa luta”, elogiou.

Discussão
No debate, foram discutidos temas como a Velha e a Nova Escola do rap, o mercado fonográfico e a evolução da comunicação no hip-hop desde a década de 1980. Depois de contar um pouco de suas trajetórias, incluindo a coincidência de terem iniciado no rap por meio de grupos formados por homens, as rappers Rubia e Lurdez da Luz responderam aos questionamentos do público.

Desde 1989 no rap, Rubia destacou que, sem militância, o rap não existiria. “Não existe nenhum MC apenas por estética. Existe algo mais. O rap é compromisso. Cito o Sabotage porque é verdade: o rap é compromisso”, frisou. Ambas destacaram a importância de mudança dentro do cenário do hip-hop e fizeram questão de enfatizar a luta vivida pelos pioneiros da cultura no Brasil, o que inclui, sem dúvidas, a participação de Rubia. Ela se divertiu lembrando que, para saber das novidades do rap, ficava acordada até as 2h da manhã, às quintas-feiras, para assistir ao extinto programa Yo! MTV Raps. “Era tudo muito mais difícil, mas me lembro com saudade. Toda informação e tecnologia era bem mais difícil. Fazíamos as colagens no tranco e looping com deck de rolo. Eram momentos mágicos. Se eu for parar para pensar, tenho coisas bacanas para contar.” Já Lurdez da Luz, mesmo pertencendo à Nova Escola do rap brasileiro, não se arriscou a comentar muito e apenas afirmou que não sabe onde tudo vai parar. Questionada sobre o volume e a velocidade das informações, o fato de não se produzirem mais discos de vinil e sobre o declínio do mercado fonográfico, opinou: “Vivemos um momento peculiar, mas eu acho que fazer um CD ainda vale a pena, porque o DJ pode tocar, torna-se um material de trabalho e daí surgem os shows. Mas, sinceramente, ainda não sei como ganhar dinheiro com o rap”.

Rubia e Lurdez da Luz concordaram que há uma saturação de novos raps no cenário, visto que o público deixou de ser apenas espectador e quis também subir ao palco e fazer músicas. “O rap não é pastel. Dá trabalho fazer. Eu não acredito em quem faz um rap por dia, porque é preciso muito sentimento para escrever e isso faz do público militante, também”, destacou Rubia. Lurdez foi além quando se referiu aos que admiram a cultura: “No rap, o palco é o público e o público é o palco”, filosofou. Na linha de pensamento do pai do hip-hop, Afrika Bambaataa, ela prosseguiu. “Podemos voltar às origens com paz, amor, diversão e união, ou seja, não perder o que conquistamos, apesar de acompanhar a evolução musical e produtiva que vem com esta nova safra”, ressalta.

Com a interação do público, o debate foi finalizado com palmas para todas as mulheres, sendo elas do hip-hop ou não, mas que fazem algo que muda, de alguma maneira, a realidade opressora que nos rodeia. “Viva as mulheres”, brindaram, e finalizaram o encontro, as mulheres do hip-ho

fonte: central hip-hop

por: jessica balbino
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Autor Luter Hip-hop no ar

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