..:: PATRICK HORLA Mandando O Verbo ::..



A música independente brasileira contemporânea tem um lance engraçado. Parece que nego frita tanto em como a coisa deve ser, decidindo o visual e os trejeitos, que se esquece de fazer o som direito. Não to falando das bandinhas de sucesso e tal, tô falando das bandecas, cantores e cantoras que ficam num limbo pseudo-underground não por fazerem um som difícil de engolir, mas porque não conseguem fazer dinheiro. Daí que foi demais descobrir o monstrão Patrick Horla, um psicopata rimador misógino, homofóbico e canibal vindo de Goiânia. Aqui na redação foi vício imediato.
Tem como não amar um cara que tem uma levada precisa, voz de vocalista de metal e fala coisas como, “quem te chamou pra colar na banca? dá um vacilo e nóis tudo te espanca / o furo que eu te faço nunca estanca / Patrick deixa só a pelanca” ou “reviravolta, meu bote não dá pra pressentir / furo tua epiglote até você parar de mentir” ou ainda “porque aqui é assim que a banda toca / macumbeiro no terreiro de umbanda me invoca” — isso pra não mencionar a hora que se autointitula “o antiboy com um ódio quilométrico”. Tem muito mais no MySpace do cara.
Mesmo que você trolle com comentários anônimos, a gente não tá nem aí, afinal de contas ninguém aqui é dimenor e todo mundo é inteligente o suficiente pra separar ficção da realidade. Abaixo, nossa troca de insultos.

Vice: Patrick Horla, que porra de nome é esse? Seu nome é Patrício, vai. Diz aê, ninguém vai te zoar.
Patrick Horla: Num fode. Meu pai escolheu o sobrenome Horla em decorrência do conto “Le Horla”. Minha mãe escolheu o Patrick por causa do Patrick Suskind, dizia que eu tinha “O Perfume” dele… [risos] E quem saiu fodido nessa brincadeira literária fui eu. Foda-se.
Quantas pessoas você já matou?
Nem a polícia sabe, eu vou contar prum merdinha igual a você?!
Você começou matando animais quando criança, que nem a gente vê nos filmes de serial killer?
Animais do tipo repórteres? Não só quando criança.
E mijar na cama, você mijava ? Muitos serial killers fazem isso.
Ainda mijo, na cama e nas mulheres que costumam estar sobre a mesma.

Tem alguma tatuagem muito da tensa?
Minhas tatuagens são cicatrizes em alto relevo. [risos]
Situação: alguém muito mais tenso que você exige que você trepe com seu pai, senão ele mata sua mãe. Você comeria seu pai pra salvar sua mãe?
Deixaria minha mãe morrer pela segunda vez. Meu pai fede.
Outra situação: alguém muito mais foda que você manda você entrar num trio elétrico e pular axé senão ele mata seu pai. Você mataria seu pai pra salvar sua honra?
Eu subiria no trio elétrico e mataria todos que estivessem ao redor, até meu pai.
Quem mais da sua família você mataria?
Você, se fosse meu cunhado. [risos]
Qual era o seu assassino favorito do jogo Detetive?
Sei nem que porra é essa.
Em “Patrick Doentio” você fala rapidamente de um bullying no jardim da infância psicologicamente resolvido (pra você) com a castração de vizinhos. Confere? Foi seu primeiro ato de infâmia contra a humanidade?
Não, isso foi depois que o Patrick cresceu, o retorno às redondezas da infância. Horla’s Back.
Confesso, tirei essa do Dexter, mas diz aí, você teve algum mentor?
Stephen King.
E o gosto pelo canibalismo, como surgiu?
Comendo mulheres da forma tradicional.
Como você escolhe suas vítimas?
Eu não as escolho, elas que escolhem atravessar meu campo de visão.
E quais suas armas preferidas?
O cérebro incisivo e pontiagudo.
Não é meio pala cantar seus feitos sangrentos? Por que um assassino resolveu rimar? Você por acaso teve alguma epifania com o “Versos Sangrentos” do Facção Central e ficou meio obcecado por ambas as artes (rimar e matar)?
Jamais. Não me compare aos discursos irracionais e sem criatividade alguma. Meu propósito é cinematografar essa merdinha de rap. Provar que podemos ser escrotos sem precisarmos ser burros. A burrice é o que realmente mata, e eu só estou tentando matá-la.
Sua voz é muito bonita. Alguma dica pra conseguir um timbre tão peculiar?
Deixe essas viadagens de “DAR DICAS” pra Ana Maria Braga, cara. A porra da minha voz é foda!

Fala bastante de escola. Foi tão traumatizante assim ou você tá querendo seduzir moleques imberbes pra torná-los assassinos? Até que série você aguentou estudar?
Escola é o maior lixo mundial. Os alunos nem sabem o que vão fazer lá, a maioria nem entende que estão lá só, e somente só, pra prestar um vestibular de merda e depois conseguir algum trabalhozinho alienado. Meu filho só vai estudar em casa. Foda-se o convívio social. Ninguém presta, já dizia o Tolerância Zero. Nunca parei de estudar, nunca fui reprovado, mas minha inteligência causa impaciência.
Tá planejando um Columbine goiano no seu antigo colégio? Pra quando? A gente pode filmar?
Não, fodam-se eles. Nem me lembro mais onde fica.
A maioria dos serial killers que a gente vê em filmes são meio gays. Você usa “bixa” como xingamento direto e trata as mulheres em geral como putas, vadias etc. Tem alguma coisinha nesse armário aí?
Acho que te enganaram na locadora hein, cara. Esses filmes aí que você tá vendo não são de suspense não… [risos] Acho que são de fetiches com serial killers. [risos]
Qual o tamanho do seu pau?
Meu pau é do tamanho da sua boca. Enorme.
Falando nisso, achei muito legal sua fusão de misoginia e scat em “Próximo terror de Stephen King”. Ou não era essa a sua intenção quando você canta “me passa o cheque senão é clic clac”?
Sim, onomatopéia do peneirador de carne humana.
Você ficou preso mesmo, como canta em “Bandido da lupa vermelha”? Conta mais sobre essa experiência de vida gostosa, por favor.
Não, nunca fiquei preso em presídio. O momento que cito a prisão é uma alusão à sentença do Bandido da Luz Vermelha.
Pode dividir conosco seus próximos planos de carnificina e música?
Tenho gravada uma porra com o Dr. Caligari e uns três instrumentais do DJ Caíque com letra esperando o dia D. Creio eu que as próximas devem sair só em CD. As que já tenho na manga são “Vestido Para Matar (Traje Trágico)”, ”Azul da Prússia”, “Mais Horror”, e “Não Rio de Piadas”. O resto nem tem nome.


ENTREVISTA POR ANDRÉ MALERONKA
FONTE : RADIO RAP DA HORA
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Autor paula forever

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