O grupo Inquérito destoa dos padrões do hip-hop nacional por vários motivos. O mais notável é o fato de seus integrantes, originários de Hortolândia, no interior de São Paulo, serem universitários e celebrarem isso nos textos de seu segundo álbum. Em Abre-Te Sésamo, logo na abertura de Um Segundo É Pouco, listam marcas de revólveres para em seguida afirmar que suas armas não são essas, e sim lápis e caneta.

O beco sem saída da “cultura” de marcas é examinado com senso autocrítico no mesmo rap: Queria cantar como o Tim, tocar como o Tom/ jogar que nem o Pelé, escrever igual o Drummond/ mas tá embaçado, o rap virou mercado/ o compromisso foi parar na seção dos congelados. E esse é só o começo.

Oito Meses reproduz o diálogo entre uma adolescente que se descobre grávida e o jovem pai que não reconhecerá o filho. Vamo Viver cita Tom Zé. É Gol! sampleia o clássico marginal Replay, gravado nos anos 1970, em levada black, pelo Trio Esperança. Algum Dia questiona a “cultura” dos tênis Nike e das “modelos que morrem de anorexia”. Múzi-K e Rosa do Morro são melódicas do princípio ao fim. Bumerangue ironiza o ricaço que “vai deixar a herança pros poodle”. Já Disse o Poeta elogia com sutileza a leitura e o projeto literário Cooperifa. E isso tudo ainda é só o começo.

Matéria publicada na revista Carta Capital
www.cartacapital.com.br


Fonte: Carta Capital
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Autor Luter Hip-hop no ar

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